quarta-feira, 15 de junho de 2011

Olho da rua


Na espreita de um velório
Quando quis envenenar-me
Recuei por ver perigo
Em coleiras me guardastes

Da fogueira as bruxas fogem
Na madrugada em noites quentes
Um prevalente suor frio
Que enferrujam as correntes

Sangue nos olhos dos heróis
Reencarnados nas serpentes
Ascendem tochas de discórdia
Por seus medos contundentes

Corriqueiro navegante
No rio de gente enlouquecida
Da meretriz me torno amante
Sem ter água nem comida

Condenado sem ter provas
No julgamento misterioso
Encarcerado por instintos
Fui privado do meu gozo

Descalço e nu, na rua estou
Um pedinte humilhado
Desumano e desdentado
Pela angústia sou tragado

Tu condenas o meu não saber
Pensas ser mais do que eu
Mas nasci sem ser bebê
E agora bebo o que não é meu.

sábado, 11 de junho de 2011

Quimera


Um soneto retumbante encontra-se escrito no instante do meu olhar com o teu,
pois alegorias e falanges que percorrem a tua pele ao tocar-me traz o arrepio.
Não sei se sinto o que me parece ser, ou apenas estou iludido. Talvez seja!
Face a face contigo me sinto perdido... Já não sei mais se sou íntegro ou profano;
Torna-se deusa da vontade e meu ímpio desejo jorra-se amiúde.

Há um magnetismo em ti inerente. Tu és a bela e a fera, e eu as vírgulas do conto.
Ao me achar em tuas andanças, eu era uma frágil criança em um berço de ébano...
Não sabia se no frio chorava ou se demonstrava incontrolável alegria.
Frágil e intocável fui carregado nos dorsos de dolosas fantasias,
por motivos não clarificados me vi entrelaçado na sinfonia dos seus beijos.

Hoje cresci e ceio na mesa de meus inimigos – A cascata de medos já não me submerge.
Minha vontade é explícita, fraudulenta e incontrolável. Tu fazes a chama reascender!
Quando estamos juntos, de tudo falamos, porém, nada é dito;
Tua beleza é a própria transcendência – Estou definhando pela peçonha de seus lábios.
Teu corpo seduz minha inocência. Diante de ti percorro do romance à tragédia...
És tu um Belerofonte encantado e, também, uma malevolente Quimera.