terça-feira, 15 de março de 2011

Elixir dos imortais

Meus sonhos não tornarão a ser o que já foram um dia,
Pois hoje tudo mudou, se entardeceu e me modificou.
E o ar que eu respiro não é o mesmo que respirei ao dormir;
Agora os pesadelos me atraem, me hipnotizam em lugares sombrios.

Havia um homem, de certo lugar, com o nome incerto
que escreveu em seu túmulo verdades em versos...
Dizia que a vida não é mágica, não é um mar de lírios;
Ela é simples, vaga, corrosível, lastimada.

Não aceitamos tais verdades, pois almejamos ser imortais.
Assim, criamos a esperança, filha bastarda da maldade.
Com a pretensão de postergar a morte e esquecer como ela age;
Mas igual ao carteiro que não se atrasa, ela sabe o seu endereço...
Vem com cheiro de velório trazido nas asas dos pardais.

Lembro-me que muito tempo atrás, contemplava o céu depois do mar...
Via gaivotas que pairavam na beira da praia, como livros indomáveis.
Posso sentir a brisa do silêncio entorpecedor que me libertava da normalidade;
Tudo se passou e agora contemplo esse evento com olhos de águia
Vejo além do que se pode ver – Tudo significa mais, o mais lúcido devaneio!

Por de trás dos véus avisto legiões de sonhos que não posso mais sonhar.
Foram engolidos por fantasmas beberrões – Estão em cofres bem guardados.
Agora entendo o olhar daqueles pardais... Jogados aos ventos são vitais.
No entanto, não me encontrarão antes que eu beba o líquido imortal,
feito pelas mãos da aventurança, um elixir com gosto de vingança;
Exclamam alto, os que se arriscam a beber – Gritam forte: quero mais!

3 comentários:

  1. "Tudo significa mais, o mais lúcido devaneio"

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  2. um elixir com gosto de vingança
    Exclamam alto, os que se arriscam a beber... Gritam forte: quero mais! ....
    .
    .
    .
    Nossa adorei

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  3. Obrigado pela sensibilidade ao ler o poema....

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