segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Alquimista do poder

O mais que posso lidar é o nada!
Não sou egoísta, nem ao menos cruel,
mas esta é sua parte – De mim tu és herdeiro.
Já comi muitas partes do que já foi um alguém;
Não vejo a carne, nem sangue ou nome,
mas pra dentro de mim, milhares devorei.

Pessoas distintas engoli sem temer.
São homens, mulheres, terras, povos...
Mas saibas que tudo o que fiz que vi ou escutei,
jamais comerás nem ao menos um grão,
pois meu corpo já arde em um fogo imortal.
Talvez seja eu um buraco escuro e sugador,
que engole matéria e ilusões – Um infinito de sinapses.

De mim não terás nem meu corpo ou migalhas,
Pois sou selvagem canibal de terras longínquas,
que come seu totem e mais forte que ele fica.
Assim vive meu nome: com as lendas e as vísceras! 
Eu devoro o que é forte, desse prato eu saboreio;
São heróis que introjeto exaltando com o honrar.

Sinto apetite em escutar cada nome desses grandes,
mas tu não comeras nenhuma parte do meu corpo...
Sou eu um monstro nato, um vácuo sem desvios;
Destruo as trilhas mórbidas de vidas temerosas
e Sou essa força que tu não compreendes.

Em breves milênios então tu saberás
como é o salivar no mastigar de cada dente.
Com sua dor, me tornarei um herói ou faraó.
Pela vida imolada que me deste ao morrer,
Eterno então serei: um grandioso mercenário,
um alquimista majestoso que se transformou em rei.

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