domingo, 15 de maio de 2011

O silêncio de um morcego

No sótão da casa de Emília, havia um morcego que ali vivia.
Os raios do sol jamais bateram em sua sensível pele,
um fantasmagórico ser que nenhum som emitia.
Não era grande nem pequeno, nem filhote ou muito velho.

Não se sabia de onde viera, nem parecia ser amigável;
De cor negra e grande olhos, em suas asas se escondia.
No escurecer do dia o sangue dos ratos o alimentava,
mas para cada rato assassinado, sua sede só crescia.

Emília, uma inocente criança, não sabia do horror lhe viria a acontecer:
Em uma sexta-feira, de nublado céu e lua cheia, barulhos no sótão escutou.
Era meia noite, e seus pais já dormiam – Acorda assustada e, olha a janela;
Estava um tanto escancarada e a luz da lua no chão batia.

A curiosidade, em seu pequeno coração, aumentava ao som que ouvia.
Extremamente aflita e angustiada, lentamente caminha até a porta...
O ruído cresce... E o sangue de Emília, por um instante, parece que não existia.
Ao olhar da fechadura nada de estranho encontrou.

No fim do corredor, mais uma janela aberta avista – Imensa, larga, bucólica e horrenda.
Sente um vento frio e sua pele arrepia. Mas o ruído que escutara parece ter uma direção
Ergue seus olhos e vê uma escada – Sobe sem pestanejar, sem ter ideia de para onde iria.
O morcego percebe o som da porta que se abre; Voa velozmente para a parte mais sombria.

Esse tenebroso ser se cala ao sentir o frenético bater do coração daquela menina.
A armadilha é arquitetada pela mente sagaz de um animal ensandecido...
Emília pergunta com voz baixa e muito trêmula: Olá! Tem alguém que possa me ouvir?
O morcego lhe responde – Falo pouco, quase nada, mas eu sou um bom ouvinte.

Emília fica assustada, paralisada e emudecida. Tenta correr, mas não consegue,
parece estar entorpecida. Sua voz desaparece mesmo dentro de sua mente.
O ar frio dá lugar ao quente, no respirar dentre os dentes do mostro que lhe mordia.
Seus olhos perdem a vida que lhe é totalmente aniquilada.

No amanhecer, em seu corpo já não havia mais sangue e nem coração que pudesse bater.
Parecia estar dormindo em um sono profundo – O cadáver é iluminado pela luz do novo dia.
Seus pais ficaram atormentados à procura da menina. Gritavam bem alto seu nome,
mas o silêncio do sótão continuou... E a busca desses pais até hoje não se findou.




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