terça-feira, 26 de julho de 2011

Au revoir!


A navalha que corta a mão
é a mesma que corta a alma;
Do modo que atenta o cão,
a mão ressequida e fraca,
repele do alto ao chão
aforismos em gotas de mágoa.

Cai um anjo litúrgico do céu,
cai à chuva que emana desgraça...
Um sorriso cruel me ampara
do fascínio do Homero moderno,
dos patifes que nunca se calam.

Importam-se tanto comigo,
e esquecem que eles são nada.
Trapaceiros! Mendigos banqueiros,
que na rua parecem ser tolos, porém,
são impávidos monarcas.

Engravatados sentinelas - padrão de bosta!
Emaranhado de mazelas em suplícios calados;
É secreto, é macabro, é a mentira mascarada.
Corja parasitária de idéias, com suas vanglórias forjadas...
Esse espírito que anda nas leis, é o mesmo que
come em sua casa - Tácito martírio de um egocêntrico babaca.

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Profundo


Faço o que não quero...
O que quero nunca faço!
O mar negro que me abstêm
Vejo a neblina em seu abraço
Fujo do que me faz bem
Teu mau sempre me detém

No fundo do oceano estou ancorado
Fujo do amor. Um pescador de sonhos!
Sinto a dor com um sabor de mel recém tirado
Nunca limpo as teias do telhado
Que me enfeitam tão obscuramente
Como um assassino desalmado

A gota pinga, esfria, desfalece!
O afeto cresce com o chegar da tua fragrância
Mas sinto que não é essa a minha herança
Já sou parte do sepulcro inerte e lacrado
No reduto de velhos, de astutos magos
Vejo o mundo com novos sentidos

Nem sempre algo bom produz coisas boas,
Mas às vezes coisas não boas trazem bens necessários
Como os cavaleiros vitimados na guerra infernal
Que pintaram a história, com a tinta escarlate  
Fortes! Gritos de adendo ecoam-se no mar
Um sedento nadador que não se pode saciar.

sexta-feira, 15 de julho de 2011

Quase poeta

Falar sobre poesia é falar sobre expressão,
sobre um ato, um mito, um fato.
É analisar a minúcia escondida nas sobras das palavras,
é falar sobre um mar que há sob solo deserto...
Uma chave mestra que penetra portais.

Correr sem pressa no traspassar do tempo;
a poesia me flerta! Ela é errada e certa.
É um saber, um lembrar, um esquecer...
Como um segredo espalhado
contamina quem a ler.



terça-feira, 12 de julho de 2011

Venenosa

Guardei os teus resquícios na aurora celeste,
pois teu corpo tu me deste em um coito encarcerado.
transpassaste dos arquétipos para um medo ancestral,
e vejo a peste trazida do leste que não se pode mais curar.

Em seu pólen venenoso respiro o cheiro desse gozo
para nunca mais ter prova de que sou tão trivial.
Na sombra da fumaça encaro os olhos da desgraça,
seja abundante ou escassa para ver o teu flertar.

Na loucura da chama negra, da luz obscura...
Encaro a neblina inflamada por sua obsessão algemada,
caminho na lua crescente, passo portais em tempestades sorridentes;
Faz-me ser um lobo errante que feri a noite com uivos mortais.


domingo, 3 de julho de 2011

Ser alado


Cortante vento que me afoga em um respirar sufocante,
Que traz nesse simbiótico relógio a rasura inócua do tempo...
Faz-me saber, no último momento, a casta dos segredos teus.
Inflija o nascer das flores do dia. Deixe-me velejar no teu oceano!

Rasgue a noite com os relâmpagos estridentes;
Quando meu dia chegar me eleve ao cume dos montes e,
Ensina-me a voar e desvairar em um tornado incessante
Sou um incrédulo que transcende ao planar em colinas distantes.

Vejo o beija-flor que voa livre nas tuas leis...
Vento que bate no coração encarcerado
De um pássaro condenado a viver sem te enfrentar,
Tira a solidão do escravo, um sagrado segregado que jamais pode voar.