Do dia em que nasci só sei que não me lembro...
Mas berrei ligeiramente oprimido e impotente.
Pela mão que em mim batia sinto o ódio desde então,
ao ver que a vida nasce suja e com a dor da solidão.
É como a nódoa que não sai das vestes brancas e aprumadas,
feri a pele igual à brasa até chegar ao coração.
Triste vida lamurienta de um traste sujo ensanguentado,
que nasce cego de nascença e rasga a madre de bom grado.
Como sofre o homem velho quando a morte lhe visita,
e vê que a vida é tão insossa como a puta sem malícia.
O ar circunda a luz que vem por entre as pernas escancaradas,
que traz na carne uma sentença – A foice intrépida diz: Mamãe!
O carinho da mão solta, na pele fina de algodão,
da mãe estarrecida e estagnada - No chão a lágrima caída...
Ai daquele que não chora e dá sorriso de paixão!
Aqui é o tudo e o nada que outrora eu não sabia,
sinto o ar que me enche a boca como o peixe fora d’água,
engasgado com o seio; sou mamífero e enguia.
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