segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Templários





Há mil respostas quando pergunta quem sou;
Aquilo que é já foi - opção nenhuma convém.
Enfático narcótico de amnésia futurística
a vagar na maré alcoólica de córregos anônimos,
com face caleidoscópica no véu da ciência oculta,
entre os pingos de chuva na lâmpada acesa. 

Não tenho casa que me enjaule no frio da madrugada,
apenas estradas libertinas de construções canônicas.
Meu sentinela dorme um sono límbico de lobisomem,
quase um assassino: Um terrorista maometano. 
A meu redor só vejo reféns, ingênuos puritanos,
Ativistas gays de belas igrejas, em estilo gregoriano. 

Estar sóbrio é uma maldição melancólica,
que subverte o além por coisas distônicas...
Entre o sequestro carnavalesco ou na 8ª sinfonia,
tomo um gole de vodca pura: princípio da alegria. 
Tenho riso sádico de complacente humor
sobre a vida moderna das castas na Índia.

Sou peregrino de sonhos e guilhotina de mentes,
parasita faminto, infecção cancerígena. 
Meu beijo tem gosto de velório e o sexo: enterro. 
Joguei no rio minha ultima pedra, meu ultimo riso,
minha última lágrima cósmica do cinturão de Órion. 
Estou suspenso por ser o que sou - não temo!
A estrela caída me guarda das trincheiras da vida. 

Para um Xamã


Catei dez mil palavras
em grãos já germinados.
Matei a fome de meus olhos
pelo alimento sagrado, que
se esconde explicitamente
no solo fértil e arado.
Ilusão cabalística – Cogumelo!
Psicodélico artista;
Mentiroso nato.
                
O martelo que bate a sentença:
Estás errado – Hipocrisia!
É a rutilância do pecado original.
O bem e mal está no fruto de
um fungo funesto que brota na mente.
Culpado e inocente compartilham
a mesma cela.

Mundo das idéias; mirabilia solvente.
Ascese multifacetada para a arquitetura
caiada, que desfragmenta o universo
transfigurado em prosa, em rima e verso
 - Multiverso é aberto: Esquizofrenia regrada. 

sábado, 1 de outubro de 2011

Psicanálise


Na p'riquita o pau:
dilacerada marca!
Lembranças perdidas
numa frecha de flor;
alimento do horror
de um voyeur
aristocrata.

A política amarga
desse clitóris rosado,
faz nascer anseios
por um amor macabro.
Por prazer, assim, me
punas: imite Nietzsche
enquanto fuma...
Lacan, imite ao recalcar.

Interprete o sonho simbiótico
no arquétipo de mãe.
Hipotético - hipnótico;
Claris'pector no espelho
de Narciso e Camões!
Tua graça é a desgraça
de coisas consubstanciadas
com o coito oculto, com
o tudo e o nada. 

Fetiche


Mulher, oh mulher!
Por que tens buceta peluda?
E quando te vejo desnuda,
desaparecem as preces
que Dom Pablo Neruda
escrevera em cartas
que ninguém nunca leu.

Seja virgem imaculada,
ou puta de profissão;
Nas gargantilhas ilhadas
entre seios erguidos,
meu gozo escorre nos teus lábios
vermelhos - tua buceta manhosa,
como Vênus, me excita.

Fetiche de feiticeira,
que peregrina em tortas eiras,
se achega na hora noturna
para dar-me o prazer que anseia.
Mulher de mil faces, mas só uma bunda...
Passeia na esquina da vida,
e ninguém mais tem
o buraco que te afunda.

Psicologia de um parasita


A navalha que corta a mão
é a mesma que corta a alma;
Do modo que atenta o cão,
a mão ressequida e fraca,
repele do alto ao chão
aforismos em gotas de mágoa.

Cai um anjo litúrgico do céu,
cai à chuva que emana desgraça...
Um sorriso cruel me ampara
do fascínio do Homero moderno,
dos patifes que nunca se calam.

Importam-se tanto comigo,
e esquecem que eles são nada.
Trapaceiros! Mendigos banqueiros,
que na rua parecem ser tolos, porém,
são impávidos monarcas.

Engravatados sentinelas - padrão de bosta!
Emaranhado de mazelas em suplícios calados;
É secreto, é macabro, é a mentira mascarada.
Corja parasitária de idéias, com suas vanglórias forjadas...
Esse espírito que anda nas leis, é o mesmo que
come em sua casa - Tácito martírio de um egocêntrico babaca.