segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Cosmopolitas



Meus passos cambaleavam 
Na sarjeta úmida de um lugar qualquer.
Enquanto moças riam com o vinho
a transbordar em seus corpos maleáveis,
aprisionadas em flertes românticos,
ao som inaudível de Ella Fitzgerald.

Pude ver no reflexo daqueles olhos castanhos,
uma legião infinita de anjos cosmopolitas,
a dançar tango com bruxas em plena fogueira,
que se materializaram nuas sob as pedras frias
de arquibancadas gregas feitas por mãos indígenas.
E aqueles anjos insaciáveis de concupiscência
tomaram-nas por deusas - Amantes concubinas!

Moças tais, que roubaram todo meu ar com
seus beijos ardentes – De forma mítica, como
serpentes distantes vindas do médio-oriente.
Quase sufocado, olhei a lua por detrás das estrelas,
e pude ver cabeças entrelaçadas: Hidras hidrogenadas!
Perdi-me em carícias francesas, entre as cortinas de fumaça
e indubitáveis belas moças com risos de princesas.

Também vi o medo na face da platéia estática,
quase tomada de arritmia cardíaca pelo desejo idêntico
de imergir naquele oceano seco de saliva salgada,
em línguas que não se falavam, porém, comunicavam
explicitamente os sentidos excitados na pele;
Sabores nunca antes provados.

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