segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

:::: CRIME E ARTE ::::

A arte da mente assassina
é calculada milimetricamente. 
Ver a faca penetrar as entranhas

é o sublime encenar da maldade.

Abnegar a súplica da vítima
traz o prazer mais contundente.
Observar a dor em seu nível utópico
é o objetivo dessa práxis.

Quem será capaz de admirar o crime?
Até mesmo aquele encomendado
pulsa no sangue os antígenos da arte;
Serás tu essa vítima e eu a navalha?

Esses olhos tramam a morte...
Cada metro, cada passo, cada lágrima.
Até o corte da carne inocente
não foge ao inquérito inquisidor da alma.

Antes minhas mãos eram infantis,
medrosas e sempre encolhidas.
Hoje as vejo inquietas por súplicas;
Quero ouvir ranger de dentes
com as fendas do fio da faca afiada. 

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

‎:::: SOMA METAPOÉTICA ::::

Como é patético
Não pensarmos que
Esse espaço contido
Entre a data de nascimento
E, por fim, o obituário
Não seja preenchida,
Tão somente,
Por uma espécie
De lingüística geômetra.

Quer julgue a força,
Ou talvez a forma empírica,
Nada conhecido foge
Das leis da gramática.
Necessidade afoita
Por saber a verdade;
Mundo cruel e selvagem
É esse escondido na ideia.

Torno-me ao sopro
Do discurso afônico,
Entalado na garganta
Ainda preso na epiglote,
Onde o som ecoa forte
Por dar vida ao que não existe. 

‎:::: ARROTO IRRITADO ::::

A devassidão do mundo me acordou!
Agora nem natureza ou lei física 
terá a audácia de levantar o punho
contra minha mão perversa.

Acordaram-me do sono de pedra,
no qual estivera eu como fantasma
num fantástico universo de inércia.
Ali jogado no abismo do nada,
onde as sombras descansam.

Repouso sobre essas palavras
um respirar demoníaco,
e sobrancelhas içadas
sobre o suor quase frio
que escorre em minha face.

Eu condeno o mundo à morte!
E a partir de hoje não haverá sorte
capaz de livrar, nem mesmo um livro
possível de ler sem seus olhos e dedos...
Pois agora eu arranco-os
sem piedade, amizade ou clichê.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

:::: SINCRONISMO ::::

Vejo a vida com um
olhar de enterro,
a observar 
bocas fechadas
onde o tártaro
tortura sem piedade;
corrói o osso ,
implode o medo.

................................Estou cansado!
..............................- Digo novamente.
................................Esses olhos vêem
................................o acasalamento
................................das varejeiras ,
................................sob o domínio orgânico
................................das comunidades
................................de bactérias anacrônicas.

Tão confusas são elas...
Porém percebo,
Que tal organização
Ca’óptica,
É apenas um
Dos infinitos
Mistérios do
Perfeito.

.................................Quem dera eu
.................................ser capaz de amar
.................................o mundo como está,
.................................e ainda não deixar
.................................de ver o tártaro
.................................apodrecer as máscaras
................................. desse teatro grego.

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

‎:::: POÉTICA DA IMAGEM ::::



Ultimamente tenho ouvido,
tão horripilantemente, 
certo som esquisito e
paranóico
ou mesmo
paraplégico,
do rasgar
agonizante
de um convite de casamento,
nas mãos de crianças perplexas
com as tramas da vida.

Quase engolido pela inércia,
afundado, eu, na poltrona
gaguejei nos diálogos
existentes que, somente eu tinha
em estado de catatonia como um demente
em frente às telas de Caravaggio e Rembrandt.

Pensei dentro dos meus pensamentos,
reflexos sobre a superfície das equações
direcionadas ao espelho da mente,
que acabam levando, tão somente,
a fazer conclusões em torno do nada.
Ah! Esse silêncio mais parece um suplício
perverso, aversivo a física do verso...
Queria eu, ser capaz de ouvir o inverso
de toda gramática nas placas de trânsito.

Minha língua é culpada, merece prisão.
Corte-a! Use e descarte...
Língua figurante no jogo da fala,
Liberto-me de sua estrutura precária;
Torno o serial killer da semântica existente. 

‎:::: TECNO-IDEOLOGIA DO CONTROLE ::::


A mídia é algo fascinante e, até determinado ponto, pode vir a ser uma coisa extremamente perigosa nas mãos de pessoas peritas na arte do controle. Obviamente, creio que isso já seja algo comentado aqui e ali por alguns despreocupados, ou mesmo, pretensiosos e, talvez, vagabundos, que tentam difundir alguma espécie de consciência coletiva sobre a tática por trás do aparelho midiático, como o caso da filósofa brasileira Márcia Tiburi, que trás à tona uma crítica histórico-filosófica a cerca do “olho de vidro” implantado na sociedade telespectadora, tão inescrupulosamente. Todavia, o que escrevo aqui ainda não chega a isso, porém, com finalidade semelhante. Por meio desse breve comentário, venho ao cerne desse pensamento, na tentativa de indicar através da logística e perícia contida na linguagem interpretativa de uma mente desocupada, como é, brevemente, o funcionamento do ser humano e suas relações com sues aparatos “tecno-ideológicos”. 

No Brasil, encontra-se uma das maiores emissoras de televisão do mundo (Globo), quase do mesmo patamar de grandes emissoras renomadas, como o caso da BBC de Londres. Todavia, especificar detalhes históricos ou estatísticos não é o interesse desse breve texto, mas sim, explicitar a partir de uma análise sócio-estrutural o quão vulnerável é capaz de tornar uma sociedade, tal aparelho midiático: a TV. É comum surgir em outros meios de comunicação – refiro-me as redes sociais e, em especial o facebook –, uma espécie de crítica em relação aos realities shows que ganham cada vez mais telespectadores para tais emissoras. Um tanto superficial e corriqueira – assim vejo tais críticas -, todavia, já se percebe alguns telespectadores engatinharem no sentido de conhecer a forma com a qual esses tipos de programas atraem tanta atenção do público. 

Sendo mais direto possível, quero aqui, esclarecer que estou me direcionando, justamente, ao programa mais comentado nos bares, cabeleireiros, lanchonetes e domicílios brasileiros: o Big Brother Brasil. Embora pareça algo já, de cara, manjado e tedioso de ser discutido, venho trazer a indagação quanto a sua funcionalidade prática na vida de seus telespectadores assíduos. Para isso, torna-se necessário aprofundar-se no campo da suspeita, tão bem trabalhado pelo Dr. Freud. Embora não seja um partidário da psicanálise, percebo nessa teoria que tanto se esforçou na direção de se auto-julgar como ciência natural, encontra-se ferramentas com precisões investigativas relevantes da linguagem e das relações histórico-culturais humanas, de grande valia para as ciências semióticas. 

Sendo ainda mais direto ao assunto, vejo a necessidade de termos que entender a estratégia da mídia quanto a utilização e organização do entretenimento direcionado a determinado público alvo. O reality show, anteriormente mencionado, nada mais é que um jogo formado por integrantes denominados “anônimos” da sociedade, ou não. Porém, o que tem de fato importância em ressaltar esse aspecto, é o fato de que a estratégia básica desse tipo de programa, é, tão somente, colocar a relação do telespectador mais próxima de quem aparece na TV. Ou seja, não é mais um programa de ficção com personagens inalcançáveis, mas sim, “real”. Pessoas de diversas localidades; diversos estilos e/ou personalidades; pertencentes a diferentes grupos, etc. são essas as peças que formam esse jogo atraente aos olhos de quem vê. Com isso, dá-se a impressão de que seja algo produzido mais próximo do cotidiano dos telespectadores, sempre tomados pela vontade de alcançar a fama e o sucesso, tão valorizado e procurado nos padrões sociais da futilidade. Assim, o aparelho midiático toma a forma de um espelho que reflete, justamente, essa espécie de desejo coletivo pelo status – sendo esse, algo agora possível por meio da projeção individual do telespectador para com um personagem que tenha características em comum com aquilo que a maioria julga virtuoso e merecedor, que se encontre na trama para lhe representar como um avatar no mundo da telinha. Percebe-se, por conta da própria evolução da mídia, no sentido de seduzir quem vê a assistir sua programação para alcançar mais pontos no IBOPE, que isso foi algo, até certo ponto, genial por parte de quem teve a ideia. Pois veja, foi-se colocado em uma espécie de caixa de Skinner, pessoas comuns que passaram por uma seleção, na qual, previamente, alguém parece ter feito uma espécie de trama de ficção ou roteiro secreto. Dessa forma, os tais escolhidos nada mais são que meros atores que interpretam seus devidos papéis – mesmo que sem saber –, meramente se portando nessa caixa como são cotidianamente ou não. Analisemos o ponto concernente a isso, sendo o fato de que a surpresa e suspense esperado na casa, nada mais é que um tipo de controle muito refinado por parte de quem manuseia esse jogo de verdade: o diretor. E também vejo que seja necessário pra isso a ajuda de um bom roteirista e excelentes editores. 


A identificação do público com determinado personagem se dará não por mero acaso, mas por conta de como os personagens seguirão seus determinados scripts e, por conseguinte, refletirá na verdadeira novela feita por meio da edição. E diga-se de passagem, novela é o que não falta nessa emissora. Apesar de não ser um telespectador, percebo que da última vez que assisti tal programa – cerca de quatro anos atrás – até então, não vejo que houve mudanças significativas quanto a dinâmica que ocorre nessa trama “natural” dos anônimos – ou como queiram chamar: escolhidos. 

Tomar consciência de como funciona essas espécies de esquemas programáticos da mídia na TV para atrair maior quantidade de pessoas em frente a um aparelho ditatorial, que não mede esforços para garantir que o telespectador tenha o entretenimento - ou o circo de outras épocas -, torna-se necessário por conta da própria imundície que se acaba tornando a atenção direcionada a algo tão desnecessário e inútil para o alcance de uma transformação relevante quanto ao desenvolvimento de senso crítico mais apurado nessa sociedade. É até mesmo vergonhoso estar falando sobre algo tão infrutífero efêmero como é tal reality show. Porém, vejo que seja necessário jogar um pouco de ácido nos olhos desses telespectadores amantes do "faz de conta comercial" sem conteúdo algum. Percebo que é preciso não somente abrir os olhos de quem assisti, mas, jogar, sem pudor, a pimenta necessária em seus respectivos "olhos de vidro" até que cause o incômodo da autocrítica. 

Charles Von Dorff.

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

‎:::: LABIRINTO DO TEMPO ::::

Em cada segundo sedentário,
estilhaços maquínicos dos ponteiros,
espelham débeis espetáculos
que reverberam o necessário
vocabulário de um suspeito. 

Talvez um instinto inato,
a programar distinção
entre tempo e espaço...
Ou será a extinção do sujeito?!

Nunca pensamos no último suspiro,
resultante desse diafragma matemático,
quase profético e pragmático,
em meio a tantos devaneios. 

Aqui jaz tua lingüística nômade,
nos túmulos de ídolos pitorescos
pigmentados com o impressionismo
da mão possessa em pesadelo. 

Tal infinitude residual e dualística,
afronta tua fronte cansada de viver.
Embora sintas tal dor quântica,
não morra antes de enlouquecer.