domingo, 18 de dezembro de 2011

Calabouço

Onde esqueci minhas chaves?
Todas as gavetas já estão reviradas,
e aqui estou olhando, estático, para
a poeira que recobre o infinito nada
no reflexo incestuoso do isqueiro.

Meus nervos pulsam com a dor
da enxaqueca crônica de todas
as noites que busco – em vão,
o sossego paralítico de viver;
- A fechadura permanece lacrada!

Trinquei a maçaneta de cristal
da excelsa porta acessível ao sonho.
Apenas desespero hermético,
por ver a cólica corroer a única
cópia que tenho dessas chaves.

Tenho que encontrá-las;
Não há outra opção existente.
Domestiquei meu hospedeiro,
durante sua relapsa procrastinação.
- Hebdômadas lunares!

Os ratos ainda estão no banheiro
roendo as sobras que me restam.
Litígio humano, cáustico – Lento!
Já estamos no outono capricorniano,
mas ainda permaneço aqui dentro.
Ludibrio a morte; cretinismo supremo. 

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