segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Tormento

Toma a pena e escrevas
o tormento sem sentir pena de si.
Sinta o bafo podre da morte
que lhe sonda sem descanso.
Escrevas! É uma ordem - Inspire-se!

Deseja fugir da lama vindoura?
Acender um cigarro solitário?
Porém, agora, obedeça-me:
Escreve tuas trevas nesse
papiro envelhecido, sujo.

Escrevas sobre teu câncer;
Sobre a dor do teu fígado;
Sobre a mágoa indigesta;
Sobre a fome da alma.
Escreva com teu sangue.

O que é feio e repugnante,
quase sempre é o que salva.
Poesia mórbida; poesia vaga...
Demoníaca; possessa - Poesia!
Aponte a arma para tuas têmporas;
Bala explosiva... Poesia macabra.

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