segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Carta Ensanguentada

[Para minha deusa onírica]

A melodia melancólica

de cada dia e cada hora,
toca no chiado do rádio.
Tento um carinho leviano,
quando apresento um banquete
orquestrado sobre a cama;
Mas tu não aceitas - Por quê?

Bato a porta com amargura
só para ter um fio solto de atenção,
porém, não olhas e, tão pouco,
entendes a dor do esquecimento.
Refrigera minha chama todas as noites
a mostrar seu corpo nu, petrificado,
entre os lençóis da cama de teus pais.

O cheiro do bálsamo e mirra
nessa pele quase congelada,
em mim penetra como heroína injetada.
Cura instantânea – Mas como dói!
Rasga em meu peito a tua afonia;
Responda-me Samantha – Por quê?

Não durmas por toda eternidade;
Estou aqui ao seu lado, em pranto.
Amaldiçoe-me com o afago de tuas mãos.
Mãos pequenas, sem vida alguma...
Não vá sem mim – Não vá!

Apenas tu me amaste verdadeiramente,
em meio a todo o desastre em que nasci.
Somente em teu colo encontrei refúgio;
E como preciso desse carinho tolo...
- Apenas o teu carinho de menina levada.
Unicamente você Samantha – Por quê?

Jamais amou outro além de mim...
Um amor doentio, ciumento e imundo.
O verdadeiro amor pelo meu escárnio;
Sempre apressada a me confrontar.
Tuas cartas empilhadas na mala
dá forma a um livro sagrado que
leio todas as noites. Para onde fostes?
Responda-me...
- Por quê?

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