quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Murmúrio de uma mosca

Percorro de velório em velório
a buscar sementes prestes ao enterro.
Os homens repudiam meu Ballet insano,
peristáltico na sintonia do gemido alheio.
Gosto do sabor amargo da saliva dos mortos,
e ouvir as lamúrias que perdura a madrugada:
Por que você, meu filho?! Era tão cheio de vida.

Pouso nas narinas para ver poeira e bactérias.
- Mas que prato saboroso, é esse corpo humano!
Semente de ódio e destruição plantada na terra;
Que na vida é perseguido, mas também, sabe ser fera.
Que hoje dá à luz a vida e amanhã se espalha como ameba.
Homem do campo, da cidade, dos edifícios, das vitrines...
Meu zunir lhe causa náusea quando vôo mais baixo.

Sempre procuras um veneno para contaminar meu ar.
É inútil tentar me vencer! Da sopa, comi todas as letras.
Das células sugo todo o plasma, membranas – Mielina.
É engraçado ver-lhes afogar na própria soberba barata,
lamber o catarro que escorre, regurgitar sobre suas crias...
Meu bater de asas é sua nostalgia pela forma da feto-ideia,
onde descansavas no útero sempre a se encolher; escondido.

Ah! Estou indo para mais um enterro naquele último cemitério.
Lugar de plantar crianças, idosos, adultos, porém, não os poetas.
- Raça em extinção é essa! Meta-fórmica espécie canibal austera.
Pele sem cor, múltiplas formas; caracterológico de paz e guerra...
Onde eles se escondem? Quero sobremesa poética na minha fantasia.
Sugar os sonhos inalcançáveis dessas crianças crescidas;
- Comer, parte a parte, as falanges; os nervos; as idéias!

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