domingo, 18 de dezembro de 2011

Tédio iminente


Minhas retinas ressecadas 
pela luz na janela da cena
imprópria em luxúria, de um
velho lixeiro a fumar charuto
apaziguado em sua amargura,
trincaram-se inteiras. 


Meus umbrais catequizados 
pelo bater de asas do pássaro cinza,
envelhece a cada manhã - Lamento!
Neurotoxina instantânea liberta;
Víbora rasteja na mente. Limítrofe.
Sensação pura - Êxtase!


Como não ouvir a sinfonia?
Escuridão em cada nota menor,
a vibrar nas cordas metálicas 
sobre o mais esplêndido ébano. 
Loucura de Mozart nos intervalos;
Jovens odaliscas enlouquecendo.


Entendo a inércia como inferioridade
da forma branda no tédio do tempo.
E assim me encontro: sempre nos cantos...
Hipotenusa cáustica na eclipse de cada passo.
Pegadas soltas na flor de lótus;
Meus passos - Meu espaço!

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