domingo, 25 de dezembro de 2011

Carne da minha carne




A carne malevolente
que estando crua e presa
dentre o hiato tordo,
sobrepujo entre os dentes,
condena todo meu corpo.

Mordo-a sem anticéptico
capaz de esterilizá-la
da insensatez tóxica
e o estímulo plutônico
mascarado com palavras.

Agrada-se com o gosto
sulfúrico do enxofre
e o bruxismo incessante.
É surda, muda – Cega.
Seduz-se facilmente.

Língua velada por versos...
Esconderijo de hostes infernais.
Aprisiona-te só aí dentro,
onde apodreces mais e mais.

Núcleo dúbio do ser ontológico;
Atalho torto para o limbo do tempo...
Destróis a forma, estética e som,
quando decides dar sobrevida
ao sopro frígido do vento.



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